
Era uma vez um velho pescador. Era analfabeto e vivia numa praia ao sul do equador.
Certa vez, de madrugada, despejaram milhares de livros velhos na praia em que ele morava.
Ele acordou e viu aquela montoeira de papel.
-Que maçada.
Abriu um volume, sabia que aquilo eram letras. Mas não sabia traduzi-las.
Foi para o mar. E, nos dias que se seguiram, foi muito boa sua pescaria.
Teve uma idéia:
- Vou fazer um armazém com os livros como tijolos.
Começou sua construção. Como base, os mais grossos. Os finhinhos, deixou-os próximo ao teto. Como telhado, comprou telhas resistentes. Depois arremedou tudo com barro.
Como os peixes caiam em sua rede, comprou três refrigeradores e colocou-os em seu armazém. Tudo ia bem em sua vida: o lugar onde ele vendia peixes começou a vender os peixes dos pescadores da região para restaurantes finos de São Paulo, e os seus eram preferidos pela freguesia.
Precisou então montar mais um armazém.
- Se os livros me trouxeram sorte, vou fazer o outro também com livros.
E comprou numa cidade uma tonelada de livros velhos, fazendo o mesmo procedimento do armazém anterior.
Só que o armazém precisava ser grande. E vieram ajudantes para o auxiliar.
-Porque você está fazendo um armazém de peixes com livros?
- Porque me trouxeram sorte.
O ajudante, que sabia ler, abriu um dos livros e começou a ler um trecho:
-“Foi aí que surgiram as principais dificuldades, pois a própria ênfase sobre a grandeza dos mestres do passado eram favorecidos pelas academias”
-Não entendi nada. O que isso quer dizer?
E continuaram a construir o armazém.

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